domingo, 27 de fevereiro de 2011

PORTUGAL DESILUDE E PERDE COM GEÓRGIA

PORTUGAL PERDEU COM A GEÓRGIA POR UM PONTO, mas a verdade é que em nenhum momento do jogo os Lobos foram superiores aos Lelos!

E não foram superiores porque os Lelos são muito melhores que os portugueses? Não!


Os portugueses não foram superiores porque em quase todo o jogo não mostraram vontade de serem melhores.

Está claro que não é fácil fazer uma crónica deste jogo, pois qualquer palavra, qualquer crítica vai ser encarada como um ataque à nossa seleção ou à direção federativa.

Mas não será por isso que o Mão de Mestre vai deixar de falar nos assuntos, nem o facto de discordar com as opções utilizadas, quer dizer que estamos a atacar este ou aquele - quer apenas dizer que temos uma opinião diferente.

Quem esteve no Estádio Universitário não pode ter deixado de chegar ao intervalo com uma mistura complexa de sentimentos.

Primeiro, temos que estranhar a atitude do público. Só no final do jogo, quando só o coração mandava, se ouviu puxar por Portugal! Parecia que o pessoal estava ali a fazer um frete!

Como podem exigir mais empenho aos jogadores quando quem vai ver os Lobos jogar está ali como se estivesse na padaria a comer uns pãezinhos quentes??

Ou seja, na pior das hipóteses, o público teve o espetáculo que mereceu.

Mas isto é desculpa para o que se passou dentro de campo? Sinceramente acho que não.

O problema é que eu não acredito que um só dos jogadores utilizados estivesse desmotivado ou desinteressado.

"Falta de atitude" disse Errol Brain no final do jogo.

Mas porque terá acontecido assim? Porque se terão apresentado os jogadores com falta de atitude?

Creio que a verdade está bem longe deste simplismo que roça a demagogia.

Creio que a questão terá de ser equacionada a outro nível.


Será que Portugal abordou o jogo de hoje com uma atitude tática correta?

Será que as opções tomadas foram as melhores para que Portugal se pudesse opor com êxito ao adversário do dia?

Será que as opções tácticas foram adequadas às circunstâncias?

Com franqueza temos sérias dúvidas em relação a estas questões.

Está claro que não é fácil abordar esta questão, até porque estão em jogo dois dos melhores jogadores portugueses da actualidade.

Mas a verdade é que cada um deles oferece um conjunto de opções diferentes à equipa, sem em nenhum momento pôr em questão a sua capacidade e competência.

Mas isso não invalida que cada um deles só deva ser utilizado em função da opção táctica que se pretenda desenvolver.

É obvio que estamos a falar do médio de formação da seleção: Pedro Leal ou José Pinto?


Cada um deles oferece um leque diferente de opções, mas essas opções condicionam toda a movimentação da equipa, e por isso mesmo, as suas hipóteses de êxito em função do adversário.

Pedro Leal é um jogador mais fino, melhor executante com os pés, talvez mais hábil na transmissão da bola.

José Pinto é mais fogoso, mexe com os avançados, não deixa que a temperatura baixe na casa das máquinas.


Jogar com Pedro Leal significa deixar os nossos avançados mais soltos, menos dedicados ao trabalho de cada segundo, dar-lhes mais espaço e tempo para recuperarem.

Com José Pinto em campo os oito da frente não têm descanso, não há tempo para relaxar, a adrenalina está sempre no seu ponto máximo.

E, na nossa opinião só assim será possível vencer equipas do nosso nível ou de um nível ligeiramente superior ao nosso.

Hoje, com a utilização de um sistema táctico que pretendeu fazer a bola fugir do contacto ao nível dos avançados, e que tentou mesmo fazer chegar a bola aos pontas no menor espaço de tempo possível, Portugal demonstrou que não tinha ambição de dominar, antes estava a jogar apenas para não ser dominado!

Os Lelos deram-os uma lição de como fazer para ganhar o jogo, especialmente desde a entrada do numero 22 para abertura. A partir desse momento, só um milagre - que quase aconteceu - poderia dar a vitória à nossa equipa.
E esse milagre quase acontece, quando Portugal deixou de temer o adversário e o encarou, olhos nos olhos e disse - Eu não tenho medo de vocês!


Mas era tarde, e a Geórgia saiu de Lisboa com uma merecida vitória, talvez  a mais importante da história dos jogos entre as duas equipas.

Os nossos avançados não começaram bem nas formações ordenadas - área em que a Geórgia vinha com os maiores pergaminhos - mas toda a equipa defendeu ao melhor nível.

Já tínhamos tido a impressão que os Lobos estão bem melhores a defender do que no passado, e hoje tivemos a confirmação dessa opinião.

E só isso nos salvou de um resultado pesado.

Com o decorrer do tempo - no segundo tempo - a nossa formação melhorou e terminou o jogo em superioridade, devolvendo ao georgianos o roubo de uma introdução, para resgatar as três bolas perdidas nas nossas introduções no primeiro tempo..

Nos alinhamentos nunca conseguimos acertar, com erros sucessivos a tirarem-nos a posse da bola nas nossas introduções, mas os nosso avançados compensaram estes erros com uma excelente cobertura do terreno e uma entrega que subiu de nível nos últimos 13 minutos de jogo, chegando mesmo a dar a impressão que a vitória seria possível.

O mesmo se passou nas linhas atrasadas, que estiveram muito bem a defender, mas que fraquejaram completamente com a bola na mão.
Na verdade não me recordo de nenhuma situação com princípio, meio e fim, conduzida pelas nossas linhas atrasadas.

Resumindo e para não prolongar o sofrimento de escrever uma crónica do diabo, eu até acabo por estar de acordo com Errol Brain: faltou atitude a Portugal.


Mas ela faltou porque as opções tácticas não foram as mais adequadas para a situação, e não porque os nosso Lobos se tenham levantado esta manhã e tenham dito; hoje não me está a apetecer ganhar!


Foto: António Simões dos Santos


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